‘Coluna Universo Fitness por Abnel Junior’: Álcool X Musculação

Antes de aprofundar sobre o tema é sempre importante lembrar que o álcool é uma droga, simplesmente uma droga e não possui função para a saúde, muito pelo contrário. Segundo o Datasus, sistema de informática do Sistema Único de Saúde, em média, ocorrem por ano cerca de 17 mil mortes por ano diretamente ligado ao consumo de álcool, isso porque os dados ainda não levam em conta acidentes de trânsito ou outras causas de óbitos influenciadas pela bebida, uma vez que elas não entram nos registros e nas estatísticas oficiais. Em um estudo publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia, em maio de 2017, contatou que 48% das mortes por cirrose são causadas pelo consumo de álcool. Sendo assim, a relação sendo aplicada no mesmo ano o numero de mortes subiria pra algo em torno de 21 mil.

Se você não é um atleta profissional ou não tem lá grandes aspirações com a performance, não é necessário cortar totalmente o consumo de álcool por causa dos seus treinos (não faz nenhum sentido você querer performar como um atleta em determinada atividade esportiva e consumir uma um “alimento” ou substância que além de não te agregar valor algum te prejudicará com seus resultados) . No entanto, é essencial aprender a beber socialmente e com moderação.

O momento da ingestão do álcool também deve ser considerado, porque consumi-lo algumas horas após os exercícios atrapalha a recuperação muscular, caracterizando-se como um dos principais erros na alimentação pós-treino.

Além disso, assim como é importante se hidratar e se alimentar muito bem no dia a dia, com água em abundância, proteínas magras, carboidratos, vitaminas e minerais, a atenção à dieta deve ser mantida na ocasião em que for beber.

Mas porque o álcool se é tão contraprodutivo pra atividade física?

Para os profissionais da área da musculação em específico o álcool traz 2 grandes “desafios”:

  1. O álcool tem uma ação miotóxica, ou seja, afeta diretamente o músculo aumentando produção de lesões de fibras com a liberação de enzimas e mioglobinas, que são posteriormente excretadas pela urina.
  2. O álcool funciona quase que como um gatilho para disparar seus níveis de insulina, o que acaba acarretando em uma série de efeitos deletérios para o praticante de atividade física no geral desde a fadiga até a desidratação. No nosso caso, na musculação, essas altas repentinas acabam por comprometer nossa síntese proteica, ou seja, justamente nossa capacidade de produzir massa muscular.

Então vamos conferir alguns dos possíveis efeitos prejudiciais do álcool em relação ao treinamento e analise qual desses em algum momento já te pegou ou atrapalhou em relação ao treinamento.

Desidratação: Sim! Quem nunca passou por aquele aperto de ir ao banheiro 300 vezes durante uma rodada com os amigos? Essa desidratação ocorre, pois os rins precisam filtrar um grande volume de água para quebrar as moléculas de álcool. Entretanto não é necessariamente o álcool que está sendo eliminado a cada ida ao banheiro, mas sim sais minerais, como o cálcio, essencial para a saúde e massa óssea. Como nossos musculos são compostos por mais de 70% de água, adivinhem de onde sairá boa parte dessa água? Da gordura? Que é um tecido mal vascularizado e não tem inervação? Claro que não! A água sairá do nosso músculo que tanto lutamos para construir, deixando flácido, murcho.

Fadiga excessiva: O consumo desmedido de álcool faz com que o corpo esgote suas fontes de energia para se recuperar. O fato é que após de uma noite de bebedeira, a falta de um sono de qualidade impossibilita um descanso e uma recuperação adequada para o corpo e os músculos, atrapalhando não só o desenvolvimento deles, como também prejudicando a performance nos treinos seguintes (em alguns casos por até 48h). Além disso o álcool além disso é um euforizante do SNC (sistema nervoso central) e se em alguns momentos ele te joga pra cima inevitavelmente haverá uma queda nessa sensação gerando momentos de depressão, ansiedade e compulsão. Quem nunca se sentiu mal após uma bebedeira sem vontade de fazer nada ou como uma fome fora do comum? Tudo isso tem ligação a esse quadro de oscilação adrenérgica que ativa uma série de catecolaminas na intenção de gerar um efeito de satisfação ou “compensatório”.

Acumulo de gordura: Vamos ser inicialmente bem simples, as bebidas alcoólicas são bastante calóricas. E nem estou falando sobre o tipo de bebida já que sabemos que do ponto de vista nutricional, existe uma grande diferença entre fermentados, como vinho e cerveja e destilados como vodca e cachaça. O fato é que cada grama de álcool possui 7 calorias, imaginem que a gordura que muitos consideram nossa maior vilã são 9 e carboidratos 4. Entretanto, diferente da gordura boa (como salmão, oleaginosas, etc) e dos carboidratos, as calorias do álcool não trazem nada de nutritivo para nosso organismo além de não gerar a mesma sensação de saciedade como os outros nutrientes, sendo fácil extrapolar, e de longe, as calorias do dia. Uma vez no fígado, a bebida se torna uma substância tóxica (acetaldeído), que gera alterações metabólicas e leva ao acúmulo de gordura no órgão, gerando problemas como a dificuldade para eliminar toxinas e a diminuição da capacidade de absorver vitaminas e minerais. Além disso, atrapalham o Ciclo de Krebs (que queima a reserva de gordura ao usá-la como energia para a realização do treino), pois em vez de usar os nutrientes dos alimentos, o corpo prioriza o álcool como fonte energética.

– Prejudica a hipertrofia: Como citado antes, as bebidas alcoólicas desidratam, interferem na absorção de vitaminas e minerais, atrapalham a síntese proteica e diminuem os níveis de testosterona no organismo, os processos relacionados à manutenção e ao crescimento muscular são prejudicados.

Agora é com vocês. Vocês já sabem exatamente o mal que o álcool pode trazer para seus treinos e resultados, se você é daqueles que pensam em performance (como atletas) pior ainda!

Vale sempre lembrar que o equilíbrio ainda é a melhor forma de lidar com nossos hábitos ainda que não sejam de todos saudáveis. Entretanto vale muito a reflexão de até onde o consumo de uma droga só porque é legalmente permitida, e que não apresenta benefício algum para a saúde deva ser consumida. Pesquisas recentes afirmam não haver uma dose segura para essa droga sendo a individualidade biológica o maior fator comprometedor, ou seja, uma lata de cerveja pode ser nada para alguns, mas acarretar diversos malefícios a outros. Hoje no SUS (sistema de saúde pública) o consumo de álcool bem como suas consequências é tratado como um problema de saúde pública com dados cada vez mais alarmantes.

Boa reflexão a todos e se beber não dirija…ao menos. 😉

Assessoria de Imprensa: Juliano Mendes

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