Muito além das sobrancelhas: Vivi Assad explica os usos da micropigmentação em tratamentos para cicatrizes de queimadura, lábio leporino e reconstrução da mama

Micropigmentação ajuda reparação estética de diversos tipos de cicatrizes, inclusive em casos mais graves 

A micropigmentação é popularmente conhecida por desenhar sobrancelhas de forma natural e permanente, mas seus usos vão além disso. A empresária e especialista neste procedimento, Vivi Assad, faz um trabalho voluntário com vítimas de queimadura e em pessoas com lábio leporino para disfarçar as cicatrizes do rosto e reconstruir a aparência dos lábios. Ela atende gratuitamente este público e seu próximo passo é a reconstrução de aréola em mulheres que precisaram tirar a mama. “Eu acredito que o maior símbolo da feminilidade é o seio, eu sei por causa da minha mãe, que teve a doença e precisou reconstruir a aréola, eu vi o quanto isso foi importante na autoestima dela”, revela.

Vivi Assad, proprietária da clínica que leva seu nome, explica que nos casos em que a mama é removida e é necessário literalmente desenhar o mamilo. Neste caso, é aplicada uma técnica de micropigmentação hiper-realista. “É um trabalho em 3D, que fica muito parecido com a mama, um trabalho muito delicado que dá um efeito muito próximo ao real”.

Para pacientes de lábio leporino, ela desenha um novo “arco do cupido”, o arco do lábio superior. Vivi explica que muitos destes pacientes passam por diversas cirurgias reparadoras e mesmo assim não obtêm a aparência desejada. Nestes casos, entra a micropigmentação. “Fazemos um novo desenho de lábios, usamos um pouco da pele, pois geralmente eles têm um lábio menor. A ‘micro’ é a última tentativa para melhorar a aparência e de fato ela melhora”.

Em vítimas de queimadura o trabalho consiste em uniformizar a cor da pele. “Geralmente, a pele queimada fica mais branca em algumas regiões, principalmente no rosto. Com a micropigmentação conseguimos uniformizar a cor, cobrindo as áreas mais claras”. Um detalhe que chama a atenção da micropigmentadora é que parte das mulheres que procuram o tratamento são possivelmente vítimas de violência doméstica. “Acredito que haja muitas mulheres vítimas de parceiros que colocaram fogo nelas, mas elas não falam sobre isso. Quando são queimaduras decorrentes de acidentes ou de fatos da infância, elas se abrem e contam toda a história, mas vejo que quando a queimadura foi na fase adulta, muitas não se abrem, não querem falar o que houve, pressuponho que muitas vezes tenham sido vítimas de violência doméstica”. Para Vivi, em todos os casos, o trabalho ajuda a resgatar a autoestima. “Isso melhora muito a auto estima delas, ainda mais quando são vítimas de violência. Muitas voltam a sorrir depois do procedimento”.

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