Telma Abrahão tira dúvidas sobre como detectar e reconhecer tipos de violência contra crianças

Quais são os tipos de violência que uma criança pode sofrer?

A violência doméstica não se limita a agressões físicas, como espancamentos e punições, mas também inclui violência psicológica e sexual. Por exemplo, uma criança constantemente ameaçada, humilhada e com medo de ser abandonada vive em estado de alerta e estresse constantes, o que pode prejudicar o desenvolvimento físico e mental saudável.

A negligência também é uma forma muito comum de violência porque não pode atender às necessidades físicas e emocionais das crianças que dependem de cuidadores para sobreviver. Isso pode ser devido à falta de alimentação adequada, higiene adequada ou mesmo falta de vínculo emocional, quando faltam os cuidados e a atenção necessários para o bom desenvolvimento infantil.

Como reconhecer sinais de violência em crianças? Os sinais de violência física são mais fáceis de reconhecer porque são visíveis no corpo da criança, como hematomas, arranhões, hematomas e marcas de agressão. Qualquer tipo de violência contra a criança afetará seu estado emocional, podendo se manifestar de diversas formas, tais como: desatenção, medo, dificuldade para dormir, ansiedade, agressividade, sono excessivo, perda de apetite, ansiedade extrema e até mesmo a aprendizagem pode se tornar difícil.

Quaisquer mudanças repentinas nos padrões de comportamento de uma criança devem ser observadas e consideradas pelo cuidador, professor ou qualquer adulto que conviva com a criança.

Como começar uma conversa sobre o assunto com a criança? As crianças tendem a se abrir com pessoas em quem confiam. Se os pais forem agressores, eles podem ter medo de dizer a verdade aos outros, e serem punidos. Os profissionais de saúde e educação devem estar preparados para reconhecer quaisquer sinais de abuso físico ou emocional e procurar ajudar as crianças por meio de empatia, conexão e confiança.

Quando um adulto percebe uma mudança no comportamento de uma criança e suspeita que algo pode ter acontecido, ele deve tentar falar com a criança e fazê-la se sentir confortável para falar e ouvi-la sem julgamento.

Como fazer ela se sentir à vontade para falar sobre o assunto? Demonstrando atenção, empatia, falar que percebeu alteração em seu comportamento pode ser um bom começo. Em seguida é importante criar uma conexão e abrir espaço para perguntar se a criança gostaria de contar o que está acontecendo.

É importante fazer perguntas abertas que deixem espaço para relatos mais detalhados, em vez de fazer perguntas que tragam o sim ou o não como resposta. Evite duvidar ou discordar do que a criança diz. Para ela pode estar sendo um ato de coragem se abrir e se perceber qualquer desconfiança pode levá-la a se fechar. Deixe claro que o adulto esta ali para ajudar, que confia no que a criança diz e que ela não tem culpa do que está vivendo.

Quando a violência acontece por causa de um familiar, como quem está de fora da situação pode oferecer ajuda? Existem canais de denuncias no Brasil, o disque 100, e qualquer adulto que desconfiar que uma criança está sendo agredida ou violentada deve denunciar. Somos todos responsáveis pelas crianças de nossa sociedade, já que, infelizmente, muitas vezes são os pais os maiores agressores.  

Quando um profissional deve ser procurado para tratar a situação? Quando a criança apresenta algum prejuízo ou dificuldades persistentes em atividades do dia a dia como se alimentar, dormir, estudar, socializar. Qualquer caso de violência contra as crianças pode deixar sequelas profundas e devem ser acompanhadas por psicólogos infantis.

Para você, é possível prevenir violência contra crianças? Certamente, e o caminho para essa mudança está na tomada de consciência e na Re- educação emocional dos pais. A maioria dos pais que agridem seus filhos, também foram agredidos em sua infância e acabam repassando o ciclo da dor e da violência de geração em geração.

O autoconhecimento atrelado ao conhecimento sobre a importância da infância na vida do ser humano é o caminho mais eficiente para mudar essa realidade. Curar nossas feridas de infância tem o poder de curar as próximas gerações também.

Quando damos aos nossos filhos o amor e o cuidado que eles precisam e merecem, quando compreendemos que crianças nascem com um cérebro imaturo e, portanto, não podem se comportar como mini adultos, quando entendemos que crianças precisam ser cuidadas e não cuidar de seus pais, um novo caminho nasce para relações respeitosas e mais empáticas entre pais e filhos.

Acompanhe Telma Abrahão no Instagram: www.instagram.com/telma.abrahao

Imprensa concedida por: Roberta Nuñez – RN Assessoria Imprensa

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *