Arquiteto de dados: o profissional por trás das informações que movimentam grandes empresas

Por: Ana Paola “Em um cenário cada vez mais orientado por dados, esse profissional transforma informações complexas em estruturas estratégicas para apoiar decisões e impulsionar resultados.” Empresas acumulam milhões de informações e dependem cada vez mais de sistemas conectados, profissionais capazes de arquitetar soluções de CRM para operações complexas. Dados estão por toda parte. Cada […]

foto-1-2.jpg

Por: Ana Paola

“Em um cenário cada vez mais orientado por dados, esse profissional transforma informações complexas em estruturas estratégicas para apoiar decisões e impulsionar resultados.”

Empresas acumulam milhões de informações e dependem cada vez mais de sistemas conectados, profissionais capazes de arquitetar soluções de CRM para operações complexas.

Dados estão por toda parte. Cada novo cliente, contrato, pagamento, solicitação, atendimento ou aprovação gera informações que precisam ser armazenadas e, principalmente, precisam chegar ao lugar certo no momento certo.

Para uma grande empresa, esse é um desafio muito maior do que simplesmente guardar informações.

Um banco pode ter milhões de clientes e inúmeros processos acontecendo simultaneamente. Uma seguradora precisa conectar dados de clientes, apólices, sinistros, pagamentos e documentos. Uma multinacional pode ter diferentes departamentos, países e sistemas que precisam trocar informações constantemente.

É nesse ponto que entra uma profissão ainda pouco conhecida fora do setor de tecnologia: o arquiteto de dados.

“Uma forma simples de explicar é pensar na arquitetura de uma casa. Antes de construir, alguém precisa definir como as diferentes partes vão se conectar e garantir que a estrutura consiga suportar aquilo que foi planejado. Com os dados de uma grande empresa acontece algo semelhante”, explica Bruno Rodriguez, desenvolvedor sênior e arquiteto de dados especializado no ecossistema Salesforce.

Na prática, o arquiteto de dados ajuda a definir como as informações de uma empresa serão organizadas, relacionadas, armazenadas, acessadas e compartilhadas entre diferentes sistemas.

Mas o trabalho de Rodriguez vai além da organização dos dados. Ele desenvolve e arquiteta soluções dentro do Salesforce para resolver problemas específicos encontrados pelas empresas – o Salesforce – conhecido principalmente como uma plataforma de CRM, sigla em inglês para gestão de relacionamento com o cliente. Em grandes organizações, porém, sua utilização pode ser muito mais ampla.

A plataforma pode participar de processos de vendas, atendimento, aprovações, automações, gestão de informações e comunicação com outros sistemas utilizados pela empresa.

Isso significa que uma multinacional não simplesmente instala o Salesforce e começa a utilizá-lo da mesma forma que qualquer outra companhia. A tecnologia precisa ser estruturada de acordo com aquela operação.

É justamente esse um dos trabalhos desenvolvidos por Bruno: entender o problema enfrentado pela organização e determinar como o Salesforce deve ser estruturado e programado para ajudar a resolvê-lo.

A necessidade pode surgir porque o volume de informações se tornou muito grande, porque determinado processo ficou lento ou complexo, porque diferentes sistemas não estão se comunicando adequadamente ou porque uma solução que funcionava para uma operação menor deixou de funcionar quando a empresa cresceu.

“Não existe uma única solução que possa simplesmente ser aplicada a todas as empresas. “, explica Rodriguez.

Uma das questões mais importantes está na integração.

Grandes organizações dificilmente trabalham com apenas um sistema. Diferentes áreas podem utilizar tecnologias distintas, enquanto determinadas informações precisam circular entre todas elas.

Quando esses sistemas não se comunicam corretamente, podem surgir informações duplicadas ou desatualizadas, processos manuais, atrasos e maior possibilidade de erros.

Integrar sistemas significa criar uma estrutura para que essas informações circulem de maneira organizada, permitindo que diferentes tecnologias funcionem como partes de uma mesma operação.

Ao mesmo tempo em que plataformas de CRM assumem funções cada vez mais importantes dentro das empresas, cresce a necessidade de profissionais capazes de trabalhar com ambientes corporativos de maior complexidade.

Existe uma diferença importante entre saber utilizar, administrar ou mesmo desenvolver funcionalidades em uma plataforma e ser capaz de arquitetar uma solução para uma operação de grande escala.

Esse segundo perfil exige uma combinação menos comum de conhecimentos. O profissional precisa compreender desenvolvimento, arquitetura de dados, integração entre sistemas, automação, desempenho e escalabilidade, mas também precisa entender o problema empresarial que a tecnologia deverá resolver.

Essa combinação ajuda a explicar por que arquitetos e desenvolvedores seniores de CRM se tornaram profissionais valorizados no mercado de tecnologia.

Há um descompasso entre a demanda por profissionais capazes de arquitetar, e não apenas operar, plataformas de CRM em escala corporativa e a disponibilidade de profissionais com experiência suficiente para assumir esse tipo de responsabilidade. Multinacionais dos setores financeiro, de seguros, aviação e outros segmentos intensivos em dados disputam profissionais capazes de atuar justamente nessa camada mais complexa da tecnologia.

É nesse segmento mais especializado que se encontra a atuação de Rodriguez.

Uma solução tecnológica pode funcionar perfeitamente com milhares de registros e começar a apresentar dificuldades quando passa a lidar com milhões. Cabe à arquitetura definir como organizar, armazenar e arquivar esses dados sem prejudicar o desempenho ou o acesso às informações necessárias.

Bruno já enfrentou desafios desse tipo em projetos envolvendo grandes organizações.

Na MAPFRE, por exemplo, trabalhou com soluções para arquivamento de dados em larga escala. No BBVA, sua atuação envolve estruturas destinadas ao processamento eficiente de operações dentro do Salesforce. Em projeto para a Johnson & Johnson, trabalhou na solução de gargalos relacionados à capacidade de sistemas acompanharem o aumento do volume e da complexidade das operações.

Sua experiência também inclui projetos relacionados à AerCap Holdings e à The Estée Lauder Companies.

São empresas de setores bastante diferentes, mas que compartilham um problema característico da economia digital: quanto maior a operação, maior a quantidade de informações que precisa ser administrada e maior a necessidade de fazer diferentes tecnologias funcionarem em conjunto.

Para um arquiteto de dados, uma solução eficiente não deve apenas funcionar quando é criada. Ela precisa considerar o crescimento da empresa.

Se uma organização aumenta o número de clientes, o volume de transações ou incorpora novos sistemas, a estrutura tecnológica precisa ser capaz de acompanhar essa mudança. Esse conceito é conhecido no setor como escalabilidade.

“Uma das preocupações é evitar que uma solução criada para resolver um problema hoje se transforme em uma limitação no futuro. É preciso pensar em como aquela arquitetura vai se comportar quando o volume aumentar e a operação se tornar mais complexa”, afirma Rodriguez.

Em uma economia em que empresas acumulam quantidades cada vez maiores de informações, essa arquitetura permanece quase sempre invisível para quem está do lado de fora. Mas é ela que ajuda a transformar milhões de dados espalhados por diferentes sistemas em uma estrutura capaz de sustentar operações, decisões e crescimento.

Para profissionais como Bruno Rodriguez, esse é justamente o desafio: fazer com que uma estrutura tecnológica cada vez mais complexa resulte em uma operação mais simples, eficiente e preparada para crescer.