IA assume tarefas de compliance e muda a forma como empresas lidam com riscos

Por Ana Paola Durante anos, manter uma empresa em conformidade com regras de segurança, privacidade e gestão de riscos significou lidar com planilhas, documentos, auditorias e processos que exigiam acompanhamento constante de equipes especializadas. Com o avanço da inteligência artificial, esse cenário começa a mudar, permitindo que parte dessas atividades seja automatizada e acompanhada de […]

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Por Ana Paola

Durante anos, manter uma empresa em conformidade com regras de segurança, privacidade e gestão de riscos significou lidar com planilhas, documentos, auditorias e processos que exigiam acompanhamento constante de equipes especializadas. Com o avanço da inteligência artificial, esse cenário começa a mudar, permitindo que parte dessas atividades seja automatizada e acompanhada de maneira contínua.

Para Mathews Henrique da Cruz, especialista em segurança da informação, GRC e inteligência artificial aplicada, a principal transformação está na possibilidade de tirar a governança do campo exclusivamente manual e colocá-la dentro da rotina operacional das empresas.

“A inteligência artificial não precisa substituir o profissional de segurança. Ela pode assumir tarefas repetitivas, organizar informações e identificar riscos para que as pessoas possam se concentrar nas decisões que realmente exigem experiência e estratégia”, explica Mathews.

Fundador da Akuris, plataforma brasileira de GRC que utiliza tecnologia para automatizar processos de governança, riscos e conformidade, Mathews acompanha essa transformação a partir de uma experiência de mais de dez anos em segurança da informação. Ao longo da carreira, atuou em setores como energia, educação, saúde e fintechs, participando da estruturação de áreas de segurança e de projetos relacionados à LGPD, ISO/IEC 27001 e gestão de riscos.

Na prática, a inteligência artificial pode ajudar empresas a identificar falhas, organizar evidências, acompanhar controles e apontar situações que precisam de atenção. O objetivo é reduzir o tempo gasto em atividades operacionais e aumentar a capacidade de acompanhamento dos riscos.

“A conformidade não deveria aparecer apenas quando chega uma auditoria. Ela precisa ser acompanhada durante todo o funcionamento da empresa, e a tecnologia pode tornar esse processo muito mais contínuo”, afirma o especialista.

Essa mudança ganha importância principalmente para empresas que precisam demonstrar segurança e conformidade, mas não possuem grandes equipes dedicadas exclusivamente a essas atividades. Automatizar parte dos processos pode permitir que estruturas menores tenham maior visibilidade sobre seus próprios riscos.

A experiência de Mathews com automação também apresenta resultados concretos. Segundo dados de sua trajetória profissional, projetos envolvendo inteligência artificial generativa e agentes autônomos contribuíram para gerar mais de R$ 1 milhão em economia orçamentária.

“O maior valor da automação não está simplesmente em fazer uma tarefa mais rápido. Está em permitir que a empresa enxergue seus riscos antes que eles se transformem em problemas financeiros, operacionais ou de reputação”, destaca.

Apesar do avanço tecnológico, Mathews ressalta que a adoção da inteligência artificial precisa vir acompanhada de governança. Uma ferramenta automatizada também precisa ter limites, controles e responsáveis definidos.

“Quando uma empresa começa a colocar inteligência artificial dentro de processos críticos, ela também precisa perguntar quem pode acessar essa tecnologia, o que ela pode fazer e como suas decisões serão acompanhadas”, alerta.

O desafio, portanto, não é escolher entre pessoas ou inteligência artificial. Para o especialista, a tendência é uma combinação entre experiência humana e automação, na qual a tecnologia assume tarefas repetitivas enquanto profissionais se concentram na análise, na estratégia e na tomada de decisões.

“Estamos entrando em uma fase em que governança e segurança deixam de ser apenas processos burocráticos e passam a funcionar como sistemas vivos dentro das empresas”, conclui Mathews Henrique da Cruz.

A transformação pode representar uma mudança importante na maneira como organizações brasileiras lidam com riscos. Em vez de descobrir problemas apenas durante auditorias ou depois de um incidente, empresas passam a ter a possibilidade de acompanhar sua exposição de forma mais frequente, utilizando a inteligência artificial como uma aliada na busca por segurança, eficiência e conformidade.