Ataques em segundos desafiam empresas: Rafael Rosado explica como reagir a tempo
Por: Patrícia Lopes – Especialista em cibersegurança mostra por que monitoramento contínuo se tornou essencial para identificar e conter invasões No mundo dos ataques digitais, alguns segundos podem separar um alerta aparentemente comum de um problema capaz de comprometer toda uma empresa. Com criminosos cada vez mais rápidos e automatizados, apenas instalar ferramentas de proteção […]
Por: Patrícia Lopes – Especialista em cibersegurança mostra por que monitoramento contínuo se tornou essencial para identificar e conter invasões
No mundo dos ataques digitais, alguns segundos podem separar um alerta aparentemente comum de um problema capaz de comprometer toda uma empresa. Com criminosos cada vez mais rápidos e automatizados, apenas instalar ferramentas de proteção já não é suficiente. É preciso saber identificar o que está acontecendo e, principalmente, reagir.
Dados apresentados no material de Rafael Rosado ajudam a dimensionar o desafio. Em agosto de 2026, organizações brasileiras enfrentaram, em média, 4.174 ataques cibernéticos por semana, segundo levantamento da Check Point Research. O número representa crescimento de 48% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Outro dado chama ainda mais atenção: o intervalo mediano entre o primeiro acesso criminoso a uma rede e o repasse desse acesso para outro grupo caiu de mais de oito horas, em 2022, para apenas 22 segundos em 2025, segundo o relatório M-Trends 2026.
Para Rafael Rosado, especialista e gestor de cibersegurança essa velocidade mudou a maneira como empresas precisam encarar a proteção digital.
“Não basta ter uma ferramenta capaz de identificar algo suspeito. Se um alerta surgir durante a madrugada, alguém ou algum processo precisa avaliar rapidamente o risco e saber qual providência tomar. Segurança depende da capacidade de transformar detecção em resposta”, afirma Rafael Rosado.
É nesse cenário que entram os Centros de Operações de Segurança, conhecidos como SOC, e os serviços de Detecção e Resposta Gerenciada, ou MDR. Em linguagem simples, essas estruturas funcionam como uma central de vigilância digital, reunindo informações de computadores, servidores, sistemas em nuvem, ferramentas de proteção e outros componentes da empresa.
“Um evento isolado nem sempre significa um ataque. Uma tentativa de login pode ser apenas um erro. Mas centenas de tentativas, seguidas de um acesso incomum e de alterações em uma conta importante, formam outro cenário. O trabalho está em conectar esses sinais”, explica Rosado.
O desafio é manter essa vigilância funcionando continuamente. Uma operação interna exige profissionais especializados, tecnologia, processos definidos e disponibilidade durante as 24 horas do dia. Para empresas que não possuem toda essa estrutura, serviços externos de MDR podem assumir parte dessa capacidade operacional.
“MDR não significa simplesmente contratar uma ferramenta de outra empresa. Estamos falando de ter profissionais, processos e uma estrutura preparada para investigar uma ameaça e agir quando alguma coisa realmente acontecer”, destaca Rafael.
O volume de alertas também pode se tornar um problema. Diferentes soluções de segurança produzem notificações constantemente, mas nem todas representam uma ameaça real. Segundo Rosado, uma operação eficiente precisa estabelecer prioridades.
“Receber mais alertas não significa estar mais protegido. A empresa precisa conseguir separar rapidamente o ruído daquilo que realmente oferece risco ao negócio. Caso contrário, a quantidade de informação pode acabar dificultando a reação”, afirma.
A preocupação também envolve custos. O relatório Cost of a Data Breach 2025, da IBM, apontou custo médio de R$ 7,19 milhões para uma violação de dados em empresas brasileiras.
Para Rafael Rosado, porém, SOC e MDR não substituem medidas como controle de acessos, backups, gestão de vulnerabilidades e treinamento dos usuários. A mudança principal está em aceitar que nenhuma barreira é infalível e preparar previamente a reação.
“Nenhuma empresa deve trabalhar imaginando que conseguirá impedir todos os ataques. Além de prevenir, precisamos perguntar quanto tempo levaremos para perceber um incidente e quanto tempo será necessário para agir. Estar preparado para responder também é parte da proteção”, conclui Rosado.
